Quanto mais o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) tenta manobrar para sair da encalacrada política que representa o processo no Conselho de Ética, mais perto ele fica de um beco sem saída. Ou melhor, de saída única: a renúncia ao cargo de presidente do Senado, no mínimo, ou mesmo do mandato, se as coisas piorarem. Nesta quinta, ele tentou protelar o processo marcando para terça-feira uma reunião da Mesa Diretora que estava marcada para hoje mesmo. O resultado é um desastre político: por pouco os senadores da oposição não assumem uma postura mais belicista, de simplesmente não votar mais nada até que Renan se afaste do cargo. A solução encontrada – uma espécie de ultimato até terça – é um pouco menos pior para Calheiros, mas também significa o agravamento de sua situação. O balcão de apostas agora gira em torno do prazo: nos bastidores, até mesmo gente da base governista acha que Renan não resiste a agosto, o mês das renúncias, suicídios e tantos outros episódios de mau agouro.
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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