Nada como uma boa confusão para as pessoas se revelarem "por inteiro", como diria o deputado eleito Clodovil Hernandez. Hoje, na hora que o bicho pegou e os parlamentares teriam que decidir, depois de toda a polêmica, o valor do reajuste para os seus salários, eis que o presidente do Senado, o brioso Renan Calheiros (PMDB-AL), achou por bem deixar a bucha para a Câmara Federal. O Senado, explicou Renan, terá o papel de "Casa revisora" e apreciará a posteriori a decisão tomada pelos deputados. A atitude de Renan, popularmente conhecida por "tirar da reta", faz lembrar uma cancioneta portuguesa sobre a postura dos corajosos lusitanos na 2ª Guerra Mundial, que dizia, se não falha a memória, algo assim: "Portugal não foi à guerra /mas também não acovardou-se / botou pano preto em cima / escreveu em letras brancas: Portugal mudou-se".
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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